O que você estava fazendo no dia 11 de setembro?

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Há 15 anos eu estava trabalhando lá em Colatina, trabalhando em uma bendita planilha de orçamentos. Na minha sala havia uma TV, que pela manhã eu insistentemente ligava para assistir Ana Maria Braga, mesmo minha chefe não gostando muito disso. Adorava trabalhar com a tv ligada, minha chefe era como uma mãe, e mãe você sabe como é, né? A gente pede com jeitinho e elas sempre acabam cedendo.

Amilza estava ao meu lado naquela manhã, trabalhávamos juntas na tal planilha. De repente, a programação foi interrompida pelo plantão da globo. Eles noticiavam o ataque ao WTC.

Amilza foi a minha primeira chefe e mentora. Ela me ensinou muitas coisas, acho que ela nem sabe o quanto ela me ensinou e o quanto ela era importante pra mim. Eu amava ela. Eu frequentava a casa dela, e brincava com os filhos dela. Nossa ligação era tão forte, que as vezes eu sem perceber e de maneira muito natural, ao invés de chama-la pelo nome, Amilza, eu a chamava de mãe.

Amilza não está mais nesse plano conosco. E eu infelizmente não pude dar adeus. Nunca tive a oportunidade de dizer o quanto ela era importante pra mim. Mas eu sei que ela está num lugar melhor hoje, e sei que onde ela estiver, sabe do carinho, respeito e amor que eu tenho por ela, e sempre terei.

Há 10 anos, eu conhecia uma pessoa, que mesmo nunca estando presente fisicamente na minha vida por muito tempo, esteve lá quase todos os dias em pensamento. Foi uma história de amor, dessas que se dissolvem no tempo, misturando realidade e ilusão, como nos conto de fadas, e que depois de muito tempo, é difícil distinguir o que foi realidade e o que foi fantasia. Essas que fazem você pensar, como a sua vida poderia ter sido diferente, se você tivesse tomando diferente decisões. Por dez anos, no primeiro minuto do dia 11 de setembro, eu desejo estar com essa pessoa e poder ser a primeira a dizer “feliz aniversário”.

Há 1 ano, depois de uma longa jornada, depois de dias muitos difíceis, depois de longos e tenebrosos invernos, em uma uma sala com pessoas de todos os cantos do planeta, em uma cerimonia muito emocionante e simbólica, eu me tornava cidadã Canadense.

Essa conquista foi muito importante pra mim. E hoje é sem duvida uma grande celebração. Não foi somente um ano de conquista, de uma jornada que começou com a aplicação do processo ainda no Brasil, mas a superação e o fechamento de um ciclo. Foi um ano muito complicado esse que se passou, onde saúde, emocional e condição financeira caminharam por uma corda bamba.

Ser cidadã é muito mais do que ter o direito de votar e um passaporte na mão. Tem muito significado e simbologia, e isso muda você por dentro e consequentemente sua confiança. Você conquistou o seu lugar.

Onze de setembro começou cedo pra mim. Eu despertei pouco depois das 5 da manhã, ainda estava escuro lá fora. Todas as lembranças passaram pela minha cabeça. Eu relembrei o sentimento de abandono e deslealdade, eu me lembrei do sentimento de desilusão e solidão. Eu me lembrei do desespero e do caos. Eu me lembrei principalmente da saudade. Mas nada disso é mais forte do que eu. Quando a gente quer e trabalha duro, a gente conquista. Hoje vou levar comigo apenas os sentimentos bons, o sentimento da conquista. As lembranças boas de pessoas que fizeram da minha vida melhor, como a minha amiga e mãe Amilza. Eu sobrevivi. Hoje, vou celebrar a minha vida, a minha determinação, a minha força, a amizade que vai além da vida e tudo o que conquistei. Hoje eu vou recordar e celebrar o amor.

Parabéns pra mim que completar 1 ano de vida como cidadã canadense!

11 de setembro é uma data cheia de recordações pra mim. E você, se lembra o que estava fazendo no dia 11 de setembro?

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